DILEMA nasceu como o sonho de um livro, que hoje vira um BLOG, pois os dilemas da fé, da alma, do corpo,do amor, são diários, e não podem ser guardados somente em uma estante.
quinta-feira, 11 de junho de 2020
CAÔ NÃO É MENTIRA !
quinta-feira, 4 de junho de 2020
VEM AÍ UM PODCAST
O INACABADO DE CADA UM
Comecei uma crônica dessas há alguns minutos, mas não
cheguei ao fim, foram algumas linhas de frustrações e experiências que não
encheram uma mísera folha, e assim tive a ideia de criar a pasta dos inacabados
e foi para lá que eu mandei alguns textos que não terminei, mas que merecem um
segundo olhar, para lá também seguiu uma poesia sem a primeira estrofe, quem me
dera se a vida tivesse uma pasta para os inacabados.
Nela eu colocaria amigos que sumiram sem ponto
final nem reticências, deixaria as discussões que não resultaram em conclusões,
depositaria um pouco das expectativas que seguem sem desfecho, colocaria na
minha pasta de experiências inacabadas todos aqueles “até logo” que falamos sem
marcarmos algo em definitivo, ou ainda as conversas viscerais que abrimos mão
porque corríamos o risco de parecermos chatos demais no meio da roda de amigos.
Na minha pasta de inacabados teria tudo,
absolutamente tudo o que merece um segundo olhar, como aquelas opiniões sisudas
demais, toda e qualquer certeza que julgamos ter deveria estar numa pasta de
inacabados, porque se pararmos para pensar a própria vida estaria lá dentro,
quer coisa mais transitória, incompleta, cheia de incertezas e inacabada? Acho
que lá teria espaço suficiente para pessoas que julgamos cedo demais e que
merecem um segundo olhar, ou ainda amores que por terem sido subestimados já
que não cumpriam com as nossas idealizações foram vítimas do nosso olhar
apressado deixando tudo o que poderia ter sido apenas inacabado.
Que lindo seria se aprendêssemos a reconhecer,
se parássemos de colocar as pessoas na forma das nossas idealizações, porque
assim a gente viveria mais experiências completas e menos inacabadas por medo
do que vão pensar ou do que vão dizer. Se tivéssemos coragem de armazenar
coisas relevantes na pasta de inacabados pediríamos mais desculpas e
julgaríamos menos, atribuiríamos, ainda que em longo prazo, um desfecho para
tudo o que poderia ter sido, mas não foi.
É por conta disso que aprendi a desconfiar das
pessoas certas demais, não das seguras, mas das muito certas sobre tudo, pois
se pararmos para pensar certeza mesmo não há nenhuma. Então tudo bem que eu não
termine minha crônica, que a poesia fique sem a primeira estrofe e sem sentido,
a vida também é assim a gente é que fica buscando sentido em tudo e tendemos a
atribuir a ela os sentidos que melhor nos cabem, até mesmo como autoproteção.
No final a própria existência é a nossa pasta
de inacabados e dá para voltar atrás, se arrepender, mudar de ideia, resgatar
relações e romper com idealizações, porque não há caminho certo, nem portinha
da felicidade, muito menos o mapa da mina e se não há mapas pouco importa o
caminho, o que importa é manter-se em movimento e perdoar tudo o que ficou por
acabar.